Arroz Carreteiro
Arroz carreteiro gaúcho com charque desfiado, prato típico dos tropeiros do Rio Grande do Sul. Robusto e cheio de história.
📋 Ingredientes
\uD83D\uDC69\u200D\uD83C\uDF73 Modo de Preparo
Dessalgar e preparar o charque
O processo de dessalgamento é crucial e deve começar com pelo menos 12 horas de antecedência. Corte o charque em pedaços grandes e coloque em uma tigela com água fria abundante. Troque a água pelo menos 3 vezes durante esse período — a cada troca, a carne vai liberando o excesso de sal. Após dessalgado, transfira o charque para uma panela com água limpa e leve ao fogo. Cozinhe por 20 a 25 minutos até a carne ficar macia o suficiente para desfiar com facilidade. Retire da água, espere esfriar o bastante para manusear e desfie em tiras seguindo o sentido das fibras. O charque bem desfiado é fundamental — pedaços muito grandes não se integram ao arroz e criam uma experiência desigual.
Dourar o charque na gordura
Em uma panela grande e funda — idealmente de ferro, como mandam os gaúchos — aqueça a banha ou gordura em fogo alto. Quando a gordura estiver bem quente e começar a chiar ao contato com uma lasca de carne, adicione todo o charque desfiado. Espalhe bem na panela e deixe dourar por 4 a 5 minutos, mexendo a cada minuto para que todas as fibras peguem cor. O objetivo é criar pontas crocantes e caramelizadas na carne, o que adiciona uma dimensão de textura e sabor incomparável. Quando sentir o aroma defumado e intenso tomando conta da cozinha, retire o charque e reserve em um prato. A gordura que ficou na panela é o ouro do carreteiro.
Construir o refogado campeiro
Na mesma panela com a gordura perfumada, reduza o fogo para médio e refogue a cebola por 2 a 3 minutos até ficar translúcida. Adicione o alho e mexa por 30 segundos — apenas para liberar o perfume, sem escurecer. Acrescente os tomates picados e o pimentão, e cozinhe por mais 3 minutos, mexendo ocasionalmente. O tomate vai soltar líquido e criar um molho rústico que vai se incorporar ao arroz. Espere até que os vegetais estejam macios e o tomate comece a se desmanchar — é esse fundo de preparo que dá corpo e cor ao carreteiro.
Tostar o arroz
Junte o arroz lavado e bem escorrido à panela. Mexa vigorosamente por 2 minutos em fogo médio, garantindo que cada grão fique envolto na gordura e nos sucos dos vegetais. Esse processo de tostagem sela o grão, impedindo que ele absorva água em excesso e vire papa. Ouça atentamente: quando os grãos começarem a fazer um som seco e estalante contra o fundo da panela, como um crepitar suave, estão prontos para receber o líquido. A cor do arroz deve passar de translúcido a branco leitoso.
Cozinhar tudo junto
Retorne o charque dourado à panela e distribua uniformemente. Adicione as 6 xícaras de água quente — sempre quente, nunca fria, para não interromper o cozimento. Tempere com pimenta-do-reino e, muito importante, prove antes de adicionar sal. O charque, mesmo dessalgado, retém salinidade suficiente para temperar todo o prato. Mexa uma única vez para distribuir os ingredientes, tampe a panela e reduza o fogo ao mínimo. Cozinhe por 18 a 20 minutos sem abrir a tampa. O vapor preso cozinha o arroz de maneira uniforme de cima para baixo.
Soltar e servir com alma gaúcha
Após o tempo de cozimento, desligue o fogo e deixe a panela tampada por mais 5 minutos — esse descanso permite que os últimos grãos absorvam a umidade residual. Abra a tampa e solte o arroz delicadamente com um garfo, fazendo movimentos de baixo para cima. Misture o cheiro-verde fresco e sirva imediatamente. O arroz carreteiro pede companheiros simples: uma salada verde crocante com vinagrete picante e, se quiser honrar a tradição gaúcha, um copo de vinho tinto da serra. Apresente na própria panela de ferro, que mantém o prato quente por muito mais tempo.
\uD83D\uDCA1 Dicas
- \u2022 Prove o charque depois de dessalgado, antes de adicionar ao arroz. Ele deve estar salgado, mas não excessivamente — lembre-se de que esse sal vai se distribuir por todo o prato. Se ainda estiver muito salgado, dê mais uma fervida em água limpa.
- \u2022 A banha de porco é o ingrediente que torna o carreteiro autêntico. Ela tem ponto de fumaça alto e sabor incomparável. Se substituir por óleo vegetal ou manteiga, o prato fica bom, mas perde a alma gaúcha.
- \u2022 Para uma versão mais rica, adicione 150 g de linguiça calabresa em cubos junto com o charque no passo 2. A combinação de charque com calabresa é popular nos acampamentos farroupilhas modernos.
- \u2022 O arroz carreteiro não deve ficar seco nem empapado — a proporção ideal é 1 xícara de arroz para 2 xícaras de água. Se o charque estiver muito úmido após o cozimento, reduza ligeiramente a água.
- \u2022 Sirva com salada verde fresca, vinagrete e, opcionalmente, um ovo frito por cima de cada porção — tradição de muitas famílias gaúchas.
- \u2022 O carreteiro rende ainda mais sabor no dia seguinte. Reaqueça em fogo baixo com um fio de água e uma colher de banha, mexendo delicadamente.
- \u2022 Para eventos e churrascos, o carreteiro pode ser feito em panelão e servido como acompanhamento — ele sustenta multidões e agrada a todos.
🔄 Variações
- Carreteiro de carne assada:: Substitua o charque por sobras de churrasco desfiadas — costela, maminha ou alcatra. Não é preciso dessalgar, então adicione sal ao gosto. É a versão mais popular em churrascos familiares no Sul.
- Carreteiro com jerked beef:: Use jerked beef (carne seca industrializada) se não encontrar charque artesanal. O sabor é menos intenso, mas o processo de dessalgamento é o mesmo e o resultado ainda é delicioso.
- Carreteiro tropeiro completo:: Adicione feijão carioca cozido, ovo mexido e farinha de mandioca torrada ao arroz pronto, criando um híbrido de carreteiro com feijão tropeiro que é popular na divisa entre RS e MG.
- Carreteiro de panela de pressão:: Para quem tem pressa, cozinhe o arroz com todos os ingredientes na panela de pressão por 6 minutos após pegar pressão. O resultado é mais compactado, mas igualmente saboroso.
📊 Informações Nutricionais (por porção)
Calorias: 380 kcal | Proteínas: 24g | Carboidratos: 38g | Gorduras: 15g
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